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Colunista J. H. Colares | Este colunista tem 1 artigo postado. |
Artigos:
Colunista: J.H. Colares
Cidade: ---------
Data: 05/09/2003
Diabetes Mellitus,oTrabalho e a Segurança Diabet
es
Mellitus
O que é?
É uma desordem
metabólica
associada com a
deficiência
absoluta ou
relativa de
insulina.
Imaginemos nosso
organismo como um
carro.Para
movimentá-lo, há a
necessidade de
combustível. Nos
seres humanos , o
combustível são os
carboidratos
(açúcar). Através
de uma série de
mecanismos que
ocorrem na chamada
digestão ,o
alimento é
degradado até
moléculas menores
(glicose) que
necessitam então
entrar nas células
.
A insulina é um
hormônio produzido
por uma célula do
pâncreas (células
–beta). Ela é um
“facilitador” da
entrada de glicose
nas células. Com a
sua deficiência , a
glicose não
consegue entrar nas
células e com isto
há um aumento do
nível de “açúcar”
no sangue. A
repercussão desta
“falha” do
organismo é a
doença que chamamos
Diabetes.
A hiperglicemia
(aumento do nível
de glicose no
sangue) altera o
metab olismo de
outros componentes
chamados proteínas
e lipídios, que,
por uma série de
mecanismos, serão
usados no lugar da
glicose. Por isso a
pessoa emagrece
porque estas
reservas
energéticas têm de
ser usadas pois não
há combustível
adequado
disponível.
Este açúcar em
excesso no sangue
faz com que ele
“sugue” a água que
está dentro das
células. Por isto
há poliúria, ou
seja, a pessoa tem
que urinar muitas
vezes pois há muita
água saindo das
células.
O organismo sente
isto como um alerta
- “há água saindo
demais do corpo!!”-
isto desencadeia a
polidipsia - a
pessoa sente muita
sede e tem um
grande aumento na
ingestão de
líquidos.
Tipos:
Há basicamente dois
tipos de diabetes:
o tipo 1 e o 2.
No tipo 1,o
indivíduo precisa
da insulina .É de
origem genética .O
próprio organismo
destrói as células
beta de que
falamos, que são as
células que
produzem a
insulina. Isto
ocorre por causa de
um “erro” no
mecanismo de defesa
do organismo, que
reconhece como
“inimigas as céluas
beta e as destroem.
Doenças que
apresentam este
mecanismo são
chamadas por nós
médicos de doença
auto- imune. O
aparecimento da
doença geralmente é
logo na infância,
no entanto, pode
aparecer até os 30
anos. A destruição
das células beta é
lenta e gradual.
A do tipo 2, dita
não- insulina-
dependente, ocorre
porque há uma
resistência das
células à insulina
impedindo a entrada
da glicose nas
mesmas. Esta
resistência,
deve-se em grande
parte à obesidade,
quase sempre
presente neste tipo
de diabetes. Após
um período de cerca
de 5 a 10 anos de
resistência, a
pessoa poderá
precisar de
insulina exógena,
pois a produção de
insulina pelas
células beta vai
decrescendo.
Há outros tipos de
diabetes de
múltiplas causas
(gestacional, por
exemplo)
Sintomas:
Os sintomas
clássicos -o que a
pessoa sente – são
: poliúria,
polidipsia e
emagrecimento. A
hiperglicemia
também causa
conseqüências nos
vasos
principalmente da
retina dos rins e
nervos, podendo com
isto provocar
cegueira e
insuficiência dos
rins, podendo ainda
levar ao coma (
coma hiperosmolar )
Como o organismo
precisa de
combustível, ele
utiliza-se de
alguns mecanismos
para obter outros
recursos. Um dos
produtos destes
mecanismos é
chamado “cetona”. O
excesso de cetona (
cetoacidose) no
organismo produz um
hálito “doce”,(
hálito cetônico)
característico dos
diabéticos
descompensados.
Nestes casos é
comum a sensação de
formigamento” em
conseqüência de
danos nervosos.
Todas estas
complicações podem
levar ao óbito se
não tratadas de
maneira adequada.
Diagnóstico
Nós médicos medimos
o açúcar (glicemia
) no sangue para
diagnosticar a
diabetes. Mas
somente este
resultado não é
suficiente. Precisa
haver uma história
compatível com a
doença para
dizermos que o
indivíduo é
diabético. A
dosagem é apenas um
indicativo.
Por exemplo, se a
pessoa tiver
200mg/dl em uma
dosagem, isto é um
forte indicativo de
diabetes. Se no
período de jejum
ela tiver acima de
126 mg/dl também.
Quando alguém
apresenta
resultados entre
estes dois valores,
pode-se dizer que
tem resistência à
glicose. Significa
que há um maior
risco de
desenvolver
diabetes e portanto
deve ser
monitorizado com
maior freqüência .
Existe um exame
chamado “teste de
tolerância à à
glicose” no qual
medimos várias
vezes a glicemia
após o indivíduo
ingerir uma dose de
“açúcar”. Assim,
podemos monitorar o
mecanismo de
absorção da
glicose, através do
nível de glicose
presente no sangue
a cada medição. A
glicose pode ser
medida na urina e
no sangue.
O Tratamento:
O tratamento vai
depender do tipo de
diabetes.
No tipo 1, como não
produz insulina, o
paciente precisa
recebê-la de fora,
o que acontece
através de
injeções. Além
disto, precisa de
uma dieta com pouco
açúcar.
No 2, sendo o
paciente obeso, o
que ocorre na maior
parte dos casos, a
atenção é dirigida
não só para a
correção da
hiperglicemia mas
também ao
tratamento da
obesidade além dos
problemas
cardiovasculares e
de dislipidemias
(alteração dos
lipídios)
associados ao
mesmo.
Então, dieta
hipocalórica, (
ingestão de poucas
calorias) e
implementação de
atividade física.
No tipo 1, a doença
não pode ser
curada, mas sim
controlada. Damos
atenção ás
conseqüências por
não haver maneira
eficazes de agir na
causa . No futuro,
quem sabe,
poderemos controlar
a destruição das
céluas beta.
Para o controle da
diabetes é preciso
disciplina. Por
isso, muitas vezes,
é preciso
submeter-se a uma
re educação, não só
alimentar, mas de
hábitos de vida.
O stress, por
exemplo, pode
desencadear uma
descompensação
metabólica levando
a uma agudização da
doença.
A longo prazo,
nosso foco é evitar
as conseqüências
crônicas da
hiperglicemia
principalmente as
vasculares e
nervosas . A curto
prazo, é evitar
descompensações
agudas.
Diabetes , o
trabalho e a
segurança.
O diabético pode
trabalhar? Estará
correndo algum
risco e pondo em
risco sua
segurança?
O diabético pode
sim trabalhar
dependendo da
atividade e do
ambiente. Um
diabético não pode
trabalhar em
ambientes com muito
calor pois há
grande risco de
desidratação.
O diabético pode
apresentar aquilo
que chamamos
hipoglicemia
“rebote” ( falta de
açúcar). Quando
isso acontece, ele
pode sentir
cansaço, fraqueza,
visão turva,
sonolência,
palidez, suores
frios e outros
sintomas da
hipoglicemia. Assim
sendo, é
recomendável que o
diabético sempre
carregue uma
“balinha” consigo
pois estará repondo
glicose em falta no
organismo. Em
decorr~encia da
possibilidade
destes sintomas, é
recomendável ter
muito cuidado com
diabético no
trabalho em altura.
Mas de maneira
nenhuma a diabetes
é uma doença
incapacitante, a
não ser que não
seja tratada.
Os diabéticos estão
também muito
sujeitos às
infecções, por isso
devem ter atenção
redobrada a
possíveis focos.
Uma complicação
comum no diabético
é o “pé diabético”,
conseqüência de
infecções e de
problemas
vasculares, que não
tratado pode
resultar em
amputação. É
importante ter a
atenção redobrada a
ferimentos na
planta dos pés,
micoses e usar
sapatos macios e
que não causam
machucados nos pés.
Existem lojas
especializadas em
calçados para
diabéticos.
Os problemas
vasculares podem
levar também, no
diabético não
tratado , á
deficiência visual.
O médico do
trabalho deve estar
consciente disto
tudo quando faz um
exame admissional
para não colocar em
risco a vida do
trabalhador.
O diagnóstico
precoce da diabetes
é de grande
importância ,
visando a prevenção
e a melhoria e
manutenção
qualidade de vida
do indivíduo.
Observações finais
Estima-se que no
Brasil existam
cerca de 5 milhões
de indivíduos
diabéticos dos
quais metade
desconhece o
diagnóstico.
Há muitos estudos
em andamento em
relação á Diabetes,
por exemplo, para
se definir
exatamente o nível
de glicose que
poderemos
diagnosticar como
diabetes.
A diabetes deve ser
tratada pelo médico
, de preferência
com o auxílio de um
nutricionista para
conduzir a dieta da
maneira mais
adequada ao
paciente.
No dia 14 de
novembro
comemora-se, em
centenas de países,
o Dia Mundial do
Diabetes.
Sites
interessantes:
http://www.diabetes
.org.br/index.html
-SociedadeBrasileir
a de Diabetes
http://dtr2001.saud
e.gov.br/sps/areast
ecnicas/diabetes/di
abete.htm
José Hildoberto
Colares Junior
Médico graduado
pela Escola
Paulista de
Medicina
Especialista em
Medicina do
Trabalho pela USP
Especializando em
Higiene Ocupacional
–Escola Politécnica
da USP
Especializando em
Psicopatologia –USP
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