Colunistas
Carlos Marangon - ESTCosmo Palasio - TSTR. Teixeira - TSTLarissa Jácome - FIS  | 
Luis Peres - EST  | J.H. Colares - MdT  | Abdon Goes-TST  | Gilmar Ortiz-EST  | R. Malagoli -EST  | 
Busca em todos os artigos
 
Voltar 1 vez Voltar ao colunista
Colunista
Cosmo Palasio
Este colunista tem 6 artigos postados.

Páginas de artigos
Artigos:
1 2 3  

Artigos:
  1. Colunista: Cosmo Palasio
    Cidade: ---
    Data: 05/09/2003

    Caracterização dos acidentes e doenças do Trabalho

    Existe uma cultura - dentro das empresas e também entre nós da prevenção - que leva parte das pessoas a estar sempre buscando argumentos para a descaracterização do acidente e da doença do trabalho. Quem me conhece sabe que penso que uma área técnica não dever mais do que isso - mas para ser área técnica há necessidade de entender um pouco mais do que apenas letras. Há necessidade também de entender um pouco da \"intenção do legislador\" - em especial quando as leis regulam uma relação entre partes - digamos assim - com poder e força bastante diferentes.

    A legislação sobre acidente do trabalho - seja aqui, seja na China, seja onde for - quando é moderna e atual - tem embutida em si a consciência da relação capital x trabalho e não poderia ser diferente. Isso não e política - é regra social.

    como digo com muita freqüência, nos aqui no Brasil temos um problema a mais a ser analisado: a falta de garantias sociais associa o trabalho a condição de cidadania. Com isso quero dizer que lá nos EUA, na França ou na Noruega - estar sempre emprego não é sinônimo de deixar de ter acesso à saúde, transporte, credito, alimentação, etc. Aqui não - aqui quando não se tem emprego a coisa pega. Isso com certeza leva a uma serie de artimanhas assumidas por alguns trabalhadores e mesmo por algumas instituições que os representam - obvio que não nos cabe discutir como profissionais (como cidadãos seria perfeito) esta dinâmica da relação social - ao mesmo tempo não podemos desconhece-la quando estudamos algumas situações.

    Por outro lado há de se entender que o fato de uma área ter legislação especifica acaba facilitando o trabalho dos profissionais e a definição dos assuntos triviais, mas de forma alguma encerra o assunto - e ai entra a atuação firme dos profissionais que estudam e se atualizam e mais do que isso educam suas visões para distante dos extremos sociais. Prova disso são as ações de periciais sérias e bem elaboradas. Não há e nem haverá como correlacionar todos os danos que um tipo de trabalho possa causar - muitos inclusive que hoje nem são pensados irão surgindo - e surgirão pelo estudo e pesquisa passando distante dos paradigmas atuais. SE há dez anos falássemos em danos psicológicos ririam de nossas palavras - hoje é uma realidade - porque o mundo começa a ver o homem como mais do que um par de mãos.

    Prevenção não se faz para atender placa de numero de acidentes em porta de fábrica. Prevenção se faz prioritariamente para garantir o direito à vida e sua plenitude. No modelo atual as pessoas discutem custo x beneficio - isso pode parecer formal e normal - mas como discutir isso quando se tem consciência de que fazer ou não pode custar a vida e a saude de alguém ? Esta inversão de valores - doença social - é perigosa demais. Para entende-la melhor é bom que na hora de definir - coloquemos no lugar do trabalhador alguém de nossos entes queridos e tomemos a decisão como se fosse para este. Não é direito de ninguém decidir se outro alguém vai ficar meio surdo, meio imóvel, etc. Não existe direito a \"meia vida\".

    Portanto parece mais do que ético - e refiro-me a ética primeira e essencial do respeito entre os seres humanos - deixando a subetica de lado - que tenhamos ao menos zelo e cuidado na hora de relacionar causas e efeitos. E uma das partes da ética diz respeito a ética com a profissão - onde se não conhecemos a fundo um assunto e esta ausência de conhecimento pode implicar em dando a alguém - procuramos apoio em especialistas.

    Para jamais de perder no caminho - mesmo que o conhecimento seja dos mais amplos - há necessidade de basear a atuação profissional em valores que vem e existem muito antes do conhecimento técnico.

    Cosmo Palasio de Moraes Jr.


  2. Colunista: Cosmo Palasio
    Cidade: ---------
    Data: 05/09/2003

    O USO DE FERRAMENTAS ANTIFAISCANTES


    Karl H.Schuth

    Especialista em Ferramentas
    Ferramentas Paulista
    São Paulo - SP

    Cosmo Palasio de M.Jr.
    Técnico de Seg. Trabalho

    A ocorrência de explosões quase sempre implica na morte de pessoas. Lamentavelmente em pleno século XX ainda é comum encontrarmos nos meios de comunicação noticias sobre explosões ocorridas em indústrias e mesmo nos lares. No caso especifico dos lares, bem como dos restaurantes quase sempre a causa da explosão está associada ao mal uso do botijão de gás; Acidentes desta natureza poderiam ser evitados com um pouco mais de esclarecimento sobre o assunto, aliás, um assunto que deveria ser obrigatório em nossas Semanas de Prevenção de Acidentes em outros evento destinados a conscientização de pessoas.


    Indo história adentro, devido as dificuldades de conhecimento da época, parece-nos até de certa forma compreensível que nos tempos idos as explosões ocorressem. No entanto, em tempos atuais pôr detrás de uma explosão estará sempre a falta de preparo de pessoas e quase sempre alguma forma de economia com relação aos equipamentos. Enquanto a mentalidade de certas pessoas estiver voltada para economias absurdas e assegurada pela certeza da impunidade, as explosões continuarão ocorrendo, mutilando pessoas e tirando vidas.


    Raros são os locais de trabalho onde não existam substâncias químicas ou petroquímicas envolvidas no processo. Nos locais onde o manuseio com este tipo de produto é ligado a atividade principal, a presença de especialistas no assunto minimiza os riscos. No entanto, não há como negar que há uma infinidade de locais de trabalho, de empresas onde o manuseio e manipulação é feito ao acaso com o objetivo único de se obter produtos e com ele ganhos. Mesmo nós, profissionais de segurança do trabalho conhecemos pouco sobre o assunto e muitas vezes estamos sentados sobre barris de pólvora prontos a explodir.

    Não falamos aqui apenas de química; Que há gases extremamente explosivos como o butadieno, o etileno e o hidrogênio todos sabemos. Que alguns líquidos são extremamente voláteis e se misturam facilmente ao ar, podendo em ambientes fechados produzir misturas de fácil combustão também temos consciência. Poucos no entanto lembram-se dos pós de substâncias inflamáveis, que dispersos no ar tornam-se altamente explosivos. Farinha de trigo, pó de alumínio, pó de carvão enquadram-se neste caso.

    Dados obtidos a partir de pesquisas realizadas na Europa e nos EUA demonstram que a maior causa de incêndios e explosões ocorridas com materiais voláteis ou explosivos é a faísca. Ao leigo, tal afirmação pode parecer estranha, no entanto ao profissional de segurança, tal conhecimento deve ser inerente do seu trabalho visto a potencialidade de acidentes que uma faísca pode causar.

    A faísca pode surgir sob várias condições. Há alguns anos tomamos conhecimento de um acidente grave ocorrido em uma grande empresa, quando uma empregada de uma firma de limpeza após ter limpado o piso dos escritórios com grande quantidade de solvente ligou uma enceradeira. Na maioria das empresas onde há atuação do Serviços de Segurança do Trabalho há todo um cuidado especial com presença de eletricidade em situações desta natureza, principalmente com o uso de equipamentos especiais para áreas de Pintura ou outros processos químicos, até mesmo no cuidado com veículos adaptados para acessarem áreas de risco. Recentemente muito falou-se da presença de telefones celulares em postos de gasolina. Obviamente toda forma de cuidado é mais do que válida e antes, necessária.

    No entanto, distante de todas estas formas de risco, as vezes pela falta de informação, outras pelo mero desejo de economia, encontramos o risco do uso de ferramentas inadequadas para este tipo de ambiente. Quando referimo-nos as pesquisa feitas na Europa e EUA, constatou-se que a origem da faísca que mais causa explosões diz respeito ao uso de ferramentas comuns (aço) em locais onde há risco de explosão. Tal fato pode ser facilmente compreendido pôr profissionais de segurança, visto que é comum encontrarmos empresas com amplos programas de segurança voltados para diversos aspectos, onde pequenas falhas acabam propiciando acidentes de proporções imensas, pôr vezes a falta de minúcias e o excesso de programas complicados e de validade e eficácia duvidosas tornam os profissionais de nossa área cegos diante de situações que levam a catástrofes.

    Segundo especialistas, uma faísca de uma ferramenta de aço atinge temperaturas de 1550 a 1850 C, sendo produto de uma conversão de energia, ou seja, a energia cinética conseqüente da força aplicada à ferramenta ou conseqüência da queda livre, transforma-se no impacto em energia térmica nos dois materiais em colisão. Neste ponto, alguns outros fatos devem ser levados em consideração, o primeiro deles e que nenhuma superfície é realmente lisa, ou seja, de fato apresenta inúmeras irregularidades em formas de picos e saliências e estes picos acabam recebendo a totalidade do impacto, quando forças enormes agem sobre essas áreas. Tais forças arrancam pequenas partículas das faces da ferramenta, no caso do aço especificamente isso ocorre de forma mais fácil devido a dureza do material . Soltas no ar, tais partículas pré aquecidas pela energia do impacto sofrem em contato com oxigênio uma oxidação exotérmica, que produz ainda mais calor e tornam a partícula incandescente.

    Se todo o processo que explicamos acima parece simples, mais simples ainda é a forma que pode ter inicio tal processo. O simples deslizar de uma chave de grifo mal ajustada sobre o tubo tem força suficiente para dar origem a uma faísca. Impactos de ferramentas de aço contra objetos de ferro ou aço, pisos ou paredes de concreto, pedras, objetos de ligas de alumínio ou magnésio, seja este impacto voluntário ou acidental pode originar faíscas. Ao mesmo tempo, mesmo com todos os cuidados tomados, pode também ocorrer a queda acidental de uma ferramenta.

    Cuidados especiais devem ser tomados durante impactos sobre faces enferrujadas ou pintadas com tinta a base de alumínio ou magnésio, visto alumínio e magnésio reagem com o óxido de ferro (ferrugem)encontrad o nas faces da ferramenta de aço..

    Para exemplificarmos melhor as condições de risco existentes em tais trabalhos, falemos um pouco sobre atmosferas explosivas/inflamáv eis. Todos que tem um pouco de conhecimento nesta área, sabem que a faíscas incandescente é apenas um dos fatores que contribuem para provocar a ignição de materiais inflamáveis ou explosivos. Outros fatores são a proporção da mistura de gás, vapor ou pó (é importante ressaltar o pó)inflamável com o ar e a temperatura mínima de combustão destes elementos.

    As proporções da mistura do ar com estes elementos para tornar a mistura explosiva são muito variáveis. Normalmente pequenas concentrações de gás ou vapor inflamável constituem condição favorável a ocorrência da ignição, como podemos ver abaixo:

    - benzeno............ .. 0,80 a 8,0 %

    - butano............. .... l,50 a 8,5 %

    - etanol............. ..... 2,60 a 18,9%

    - metanol............ ... 6,00 a 36,0%

    - propano............ ... 1,90 a 9,5%

    Pôr outro lado, como já citamos anteriormente, as faíscas de ferramentas de aço atingem temperaturas de 1550 a 1850 C, e como veremos abaixo a temperatura mínima de combustão de misturas ar/gás, vapor inflamável ficam muito abaixo disso:

    - benzeno............ .... 450 C

    - butano............. ...... 430 C

    - etanol............. ....... 375 C

    - metanol............ ..... 400 C

    - propano............ ..... 465 C

    Fica claro que o risco de explosão existe e deve ser considerado de forma rigorosa, portanto sendo evitado o uso de ferramentas de aço em locais onde tal risco exista. Mesmo ambientes monitorados, quando a monitoração é possível estão sujeitos a falhas ou problemas nos equipamentos, e como profissionais de prevenção de acidentes cabe-nos observar tal possibilidade, visto que tais falhas terão com certeza conseqüências incorrigíveis..

    Diante do quadro exposto, fica claro que o uso de ferramentas de segurança nestes locais é essencial. Tais ferramentas confeccionadas de cobre ou ligas diferentes deste metal (exceção feita ao berílio pôr ser cancerígeno) asseguram a realização dos trabalhos com segurança.. Basta dizer pôr exemplo, que a energia de impacto para arrancar partículas da face da ferramenta feita de cobre e suas ligas é bem menor do que no caso das ferramentas de aço, pôr esta mesma razão, o impacto não aufere a partícula atingida a energia térmica mínima que possibilite o inicio do processo de oxidação exotérmica.

    No mercado há uma grande variedade de ferramentas de segurança. Obviamente seu custo é mais alto do que a ferramenta comum, no entanto sua aplicação especifica e os danos que pode evitar com certeza valem o investimento. Certamente um trabalho bem elaborado pelo Depto. de Segurança do Trabalho e apresentado aos responsáveis pelas empresas obterá êxito.

    É importante dizer, que além do uso das ferramentas corretas, outros cuidados adicionais devem ser tomados quando trabalhamos em áreas que contém materiais inflamáveis ou explosivos, ou seja:

    - não arrastar pelo chão objetos pesados de ferro ou aço.

    - molhar e manter úmidos objetos enferrujados ou pintados com tinta a base de alumínio ou magnésio.

    - não usar roupas com fecho de metal.

    - não acondicionar ferramentas (mesmo de segurança) em caixas de chapas de aço


    Portanto, se até então, por desconhecimento ou seja lá qual for a causa, você ainda não tinha atentado para este risco, é importante que agora torne a tomar as providências necessárias para minimiza-lo.



: : Cosmo Palasio Morales Junior é técnico de segurança do trabalho, fundador e moderador do e-mailgroupo SESMT. Também possui vários artigos publicados em revistas de SST.

Voltar ao Topo
Fim de Página

Powered by © Chipmunk Guestbook