Colunista: Cosmo Palasio
Cidade: ---
Data: 05/09/2003
Caracterização dos acidentes e doenças do Trabalho
Existe uma cultura
- dentro das
empresas e também
entre nós da
prevenção - que
leva parte das
pessoas a estar
sempre buscando
argumentos para a
descaracterização
do acidente e da
doença do trabalho.
Quem me conhece
sabe que penso que
uma área técnica
não dever mais do
que isso - mas para
ser área técnica há
necessidade de
entender um pouco
mais do que apenas
letras. Há
necessidade também
de entender um
pouco da
\"intenção do
legislador\" -
em especial quando
as leis regulam uma
relação entre
partes - digamos
assim - com poder e
força bastante
diferentes.
A legislação sobre
acidente do
trabalho - seja
aqui, seja na
China, seja onde
for - quando é
moderna e atual -
tem embutida em si
a consciência da
relação capital x
trabalho e não
poderia ser
diferente. Isso não
e política - é
regra social.
como digo com muita
freqüência, nos
aqui no Brasil
temos um problema a
mais a ser
analisado: a falta
de garantias
sociais associa o
trabalho a condição
de cidadania. Com
isso quero dizer
que lá nos EUA, na
França ou na
Noruega - estar
sempre emprego não
é sinônimo de
deixar de ter
acesso à saúde,
transporte,
credito,
alimentação, etc.
Aqui não - aqui
quando não se tem
emprego a coisa
pega. Isso com
certeza leva a uma
serie de artimanhas
assumidas por
alguns
trabalhadores e
mesmo por algumas
instituições que os
representam - obvio
que não nos cabe
discutir como
profissionais (como
cidadãos seria
perfeito) esta
dinâmica da relação
social - ao mesmo
tempo não podemos
desconhece-la
quando estudamos
algumas situações.
Por outro lado há
de se entender que
o fato de uma área
ter legislação
especifica acaba
facilitando o
trabalho dos
profissionais e a
definição dos
assuntos triviais,
mas de forma alguma
encerra o assunto -
e ai entra a
atuação firme dos
profissionais que
estudam e se
atualizam e mais do
que isso educam
suas visões para
distante dos
extremos sociais.
Prova disso são as
ações de periciais
sérias e bem
elaboradas. Não há
e nem haverá como
correlacionar todos
os danos que um
tipo de trabalho
possa causar -
muitos inclusive
que hoje nem são
pensados irão
surgindo - e
surgirão pelo
estudo e pesquisa
passando distante
dos paradigmas
atuais. SE há dez
anos falássemos em
danos psicológicos
ririam de nossas
palavras - hoje é
uma realidade -
porque o mundo
começa a ver o
homem como mais do
que um par de mãos.
Prevenção não se
faz para atender
placa de numero de
acidentes em porta
de fábrica.
Prevenção se faz
prioritariamente
para garantir o
direito à vida e
sua plenitude. No
modelo atual as
pessoas discutem
custo x beneficio -
isso pode parecer
formal e normal -
mas como discutir
isso quando se tem
consciência de que
fazer ou não pode
custar a vida e a
saude de alguém ?
Esta inversão de
valores - doença
social - é perigosa
demais. Para
entende-la melhor é
bom que na hora de
definir -
coloquemos no lugar
do trabalhador
alguém de nossos
entes queridos e
tomemos a decisão
como se fosse para
este. Não é direito
de ninguém decidir
se outro alguém vai
ficar meio surdo,
meio imóvel, etc.
Não existe direito
a \"meia
vida\".
Portanto parece
mais do que ético -
e refiro-me a ética
primeira e
essencial do
respeito entre os
seres humanos -
deixando a subetica
de lado - que
tenhamos ao menos
zelo e cuidado na
hora de relacionar
causas e efeitos. E
uma das partes da
ética diz respeito
a ética com a
profissão - onde se
não conhecemos a
fundo um assunto e
esta ausência de
conhecimento pode
implicar em dando a
alguém - procuramos
apoio em
especialistas.
Para jamais de
perder no caminho -
mesmo que o
conhecimento seja
dos mais amplos -
há necessidade de
basear a atuação
profissional em
valores que vem e
existem muito antes
do conhecimento
técnico.
Cosmo Palasio de
Moraes Jr.
Colunista: Cosmo Palasio
Cidade: ---------
Data: 05/09/2003
O USO DE FERRAMENTAS ANTIFAISCANTES
Karl H.Schuth
Especialista em
Ferramentas
Ferramentas
Paulista
São Paulo - SP
Cosmo Palasio de
M.Jr.
Técnico de Seg.
Trabalho
A ocorrência de
explosões quase
sempre implica na
morte de pessoas.
Lamentavelmente em
pleno século XX
ainda é comum
encontrarmos nos
meios de
comunicação
noticias sobre
explosões ocorridas
em indústrias e
mesmo nos lares. No
caso especifico dos
lares, bem como dos
restaurantes quase
sempre a causa da
explosão está
associada ao mal
uso do botijão de
gás; Acidentes
desta natureza
poderiam ser
evitados com um
pouco mais de
esclarecimento
sobre o assunto,
aliás, um assunto
que deveria ser
obrigatório em
nossas Semanas de
Prevenção de
Acidentes em outros
evento destinados a
conscientização de
pessoas.
Indo história
adentro, devido as
dificuldades de
conhecimento da
época, parece-nos
até de certa forma
compreensível que
nos tempos idos as
explosões
ocorressem. No
entanto, em tempos
atuais pôr detrás
de uma explosão
estará sempre a
falta de preparo de
pessoas e quase
sempre alguma forma
de economia com
relação aos
equipamentos.
Enquanto a
mentalidade de
certas pessoas
estiver voltada
para economias
absurdas e
assegurada pela
certeza da
impunidade, as
explosões
continuarão
ocorrendo,
mutilando pessoas e
tirando vidas.
Raros são os locais
de trabalho onde
não existam
substâncias
químicas ou
petroquímicas
envolvidas no
processo. Nos
locais onde o
manuseio com este
tipo de produto é
ligado a atividade
principal, a
presença de
especialistas no
assunto minimiza os
riscos. No entanto,
não há como negar
que há uma
infinidade de
locais de trabalho,
de empresas onde o
manuseio e
manipulação é feito
ao acaso com o
objetivo único de
se obter produtos e
com ele ganhos.
Mesmo nós,
profissionais de
segurança do
trabalho conhecemos
pouco sobre o
assunto e muitas
vezes estamos
sentados sobre
barris de pólvora
prontos a explodir.
Não falamos aqui
apenas de química;
Que há gases
extremamente
explosivos como o
butadieno, o
etileno e o
hidrogênio todos
sabemos. Que alguns
líquidos são
extremamente
voláteis e se
misturam facilmente
ao ar, podendo em
ambientes fechados
produzir misturas
de fácil combustão
também temos
consciência. Poucos
no entanto
lembram-se dos pós
de substâncias
inflamáveis, que
dispersos no ar
tornam-se altamente
explosivos. Farinha
de trigo, pó de
alumínio, pó de
carvão enquadram-se
neste caso.
Dados obtidos a
partir de pesquisas
realizadas na
Europa e nos EUA
demonstram que a
maior causa de
incêndios e
explosões ocorridas
com materiais
voláteis ou
explosivos é a
faísca. Ao leigo,
tal afirmação pode
parecer estranha,
no entanto ao
profissional de
segurança, tal
conhecimento deve
ser inerente do seu
trabalho visto a
potencialidade de
acidentes que uma
faísca pode causar.
A faísca pode
surgir sob várias
condições. Há
alguns anos tomamos
conhecimento de um
acidente grave
ocorrido em uma
grande empresa,
quando uma
empregada de uma
firma de limpeza
após ter limpado o
piso dos
escritórios com
grande quantidade
de solvente ligou
uma enceradeira. Na
maioria das
empresas onde há
atuação do Serviços
de Segurança do
Trabalho há todo um
cuidado especial
com presença de
eletricidade em
situações desta
natureza,
principalmente com
o uso de
equipamentos
especiais para
áreas de Pintura ou
outros processos
químicos, até mesmo
no cuidado com
veículos adaptados
para acessarem
áreas de risco.
Recentemente muito
falou-se da
presença de
telefones celulares
em postos de
gasolina.
Obviamente toda
forma de cuidado é
mais do que válida
e antes,
necessária.
No entanto,
distante de todas
estas formas de
risco, as vezes
pela falta de
informação, outras
pelo mero desejo de
economia,
encontramos o risco
do uso de
ferramentas
inadequadas para
este tipo de
ambiente. Quando
referimo-nos as
pesquisa feitas na
Europa e EUA,
constatou-se que a
origem da faísca
que mais causa
explosões diz
respeito ao uso de
ferramentas comuns
(aço) em locais
onde há risco de
explosão. Tal fato
pode ser facilmente
compreendido pôr
profissionais de
segurança, visto
que é comum
encontrarmos
empresas com amplos
programas de
segurança voltados
para diversos
aspectos, onde
pequenas falhas
acabam propiciando
acidentes de
proporções imensas,
pôr vezes a falta
de minúcias e o
excesso de
programas
complicados e de
validade e eficácia
duvidosas tornam os
profissionais de
nossa área cegos
diante de situações
que levam a
catástrofes.
Segundo
especialistas, uma
faísca de uma
ferramenta de aço
atinge temperaturas
de 1550 a 1850 C,
sendo produto de
uma conversão de
energia, ou seja, a
energia cinética
conseqüente da
força aplicada à
ferramenta ou
conseqüência da
queda livre,
transforma-se no
impacto em energia
térmica nos dois
materiais em
colisão. Neste
ponto, alguns
outros fatos devem
ser levados em
consideração, o
primeiro deles e
que nenhuma
superfície é
realmente lisa, ou
seja, de fato
apresenta inúmeras
irregularidades em
formas de picos e
saliências e estes
picos acabam
recebendo a
totalidade do
impacto, quando
forças enormes agem
sobre essas áreas.
Tais forças
arrancam pequenas
partículas das
faces da
ferramenta, no caso
do aço
especificamente
isso ocorre de
forma mais fácil
devido a dureza do
material . Soltas
no ar, tais
partículas pré
aquecidas pela
energia do impacto
sofrem em contato
com oxigênio uma
oxidação
exotérmica, que
produz ainda mais
calor e tornam a
partícula
incandescente.
Se todo o processo
que explicamos
acima parece
simples, mais
simples ainda é a
forma que pode ter
inicio tal
processo. O simples
deslizar de uma
chave de grifo mal
ajustada sobre o
tubo tem força
suficiente para dar
origem a uma
faísca. Impactos de
ferramentas de aço
contra objetos de
ferro ou aço, pisos
ou paredes de
concreto, pedras,
objetos de ligas de
alumínio ou
magnésio, seja este
impacto voluntário
ou acidental pode
originar faíscas.
Ao mesmo tempo,
mesmo com todos os
cuidados tomados,
pode também ocorrer
a queda acidental
de uma ferramenta.
Cuidados especiais
devem ser tomados
durante impactos
sobre faces
enferrujadas ou
pintadas com tinta
a base de alumínio
ou magnésio, visto
alumínio e magnésio
reagem com o óxido
de ferro
(ferrugem)encontrad
o nas faces da
ferramenta de aço..
Para
exemplificarmos
melhor as condições
de risco existentes
em tais trabalhos,
falemos um pouco
sobre atmosferas
explosivas/inflamáv
eis. Todos que tem
um pouco de
conhecimento nesta
área, sabem que a
faíscas
incandescente é
apenas um dos
fatores que
contribuem para
provocar a ignição
de materiais
inflamáveis ou
explosivos. Outros
fatores são a
proporção da
mistura de gás,
vapor ou pó (é
importante
ressaltar o
pó)inflamável com o
ar e a temperatura
mínima de combustão
destes elementos.
As proporções da
mistura do ar com
estes elementos
para tornar a
mistura explosiva
são muito
variáveis.
Normalmente
pequenas
concentrações de
gás ou vapor
inflamável
constituem condição
favorável a
ocorrência da
ignição, como
podemos ver abaixo:
-
benzeno............
.. 0,80 a 8,0 %
-
butano.............
.... l,50 a 8,5 %
-
etanol.............
..... 2,60 a 18,9%
-
metanol............
... 6,00 a 36,0%
-
propano............
... 1,90 a 9,5%
Pôr outro lado,
como já citamos
anteriormente, as
faíscas de
ferramentas de aço
atingem
temperaturas de
1550 a 1850 C, e
como veremos abaixo
a temperatura
mínima de combustão
de misturas ar/gás,
vapor inflamável
ficam muito abaixo
disso:
-
benzeno............
.... 450 C
-
butano.............
...... 430 C
-
etanol.............
....... 375 C
-
metanol............
..... 400 C
-
propano............
..... 465 C
Fica claro que o
risco de explosão
existe e deve ser
considerado de
forma rigorosa,
portanto sendo
evitado o uso de
ferramentas de aço
em locais onde tal
risco exista. Mesmo
ambientes
monitorados, quando
a monitoração é
possível estão
sujeitos a falhas
ou problemas nos
equipamentos, e
como profissionais
de prevenção de
acidentes cabe-nos
observar tal
possibilidade,
visto que tais
falhas terão com
certeza
conseqüências
incorrigíveis..
Diante do quadro
exposto, fica claro
que o uso de
ferramentas de
segurança nestes
locais é essencial.
Tais ferramentas
confeccionadas de
cobre ou ligas
diferentes deste
metal (exceção
feita ao berílio
pôr ser
cancerígeno)
asseguram a
realização dos
trabalhos com
segurança.. Basta
dizer pôr exemplo,
que a energia de
impacto para
arrancar partículas
da face da
ferramenta feita de
cobre e suas ligas
é bem menor do que
no caso das
ferramentas de aço,
pôr esta mesma
razão, o impacto
não aufere a
partícula atingida
a energia térmica
mínima que
possibilite o
inicio do processo
de oxidação
exotérmica.
No mercado há uma
grande variedade de
ferramentas de
segurança.
Obviamente seu
custo é mais alto
do que a ferramenta
comum, no entanto
sua aplicação
especifica e os
danos que pode
evitar com certeza
valem o
investimento.
Certamente um
trabalho bem
elaborado pelo
Depto. de Segurança
do Trabalho e
apresentado aos
responsáveis pelas
empresas obterá
êxito.
É importante dizer,
que além do uso das
ferramentas
corretas, outros
cuidados adicionais
devem ser tomados
quando trabalhamos
em áreas que contém
materiais
inflamáveis ou
explosivos, ou
seja:
- não arrastar pelo
chão objetos
pesados de ferro ou
aço.
- molhar e manter
úmidos objetos
enferrujados ou
pintados com tinta
a base de alumínio
ou magnésio.
- não usar roupas
com fecho de metal.
- não acondicionar
ferramentas (mesmo
de segurança) em
caixas de chapas de
aço
Portanto, se até
então, por
desconhecimento ou
seja lá qual for a
causa, você ainda
não tinha atentado
para este risco, é
importante que
agora torne a tomar
as providências
necessárias para
minimiza-lo.