Colunista:
Rodrigo Teixeira
Cidade: Rio de Janeiro
Data: 04/01/2006 10:40:25 h
Toda e qualquer pessoa que tenha sido treinada, pode evitar que prejuízos materiais e até mesmo vidas se percam em consequência de um incêndio.
De nada adianta ter-se disponíveis agentes extintores, se as pessoas que trabalham naquele ambiente não são orientadas em como agir em uma situação de emergência. Da mesma forma ocorre, quando temos pessoas treinadas e as mesmas não possuem recursos para pôr em prática tudo aquilo que aprenderam.
O COMBATE EFICIENTE:
Para extinguir-se um princípio de incêndio, comentarei aqui os 3 (três) tipos de extintores mais conhecidos no mercado: Água, Gás Carbônico (CO2) e Pó Químico.
A) Água - Usado em princípios de incêndio, cujos materiais deixam brasas. Ex.: madeira, papel, tecido etc.
B) Gás Carbônico (CO2) - Usado em princípos de incêndio que ocorram em equipamentos elétricos/eletrônicos. Ex.: computadores, aparelhos de ar-condicionado etc. A vantagem deste agente extintor, é que o mesmo não deixa resíduos, evitando assim que seja comprometida a integridade do equipamento.
C) Pó Químico - Uso indicado em princípios de incêndio em partes elétricas e também em líquidos inflamáveis. A desvantagem do uso deste agente na parte elétrica, é que o mesmo, pelo fato de deixar resíduos, pode vir a comprometer a integridade física de um equipamento sensível como TV ou computador.
Rodrigo Teixeira
Técnico de Segurança do Trabalho
PUC-Rio
Colunista:
Carlos Alberto Marangon
Cidade: Curitiba
Data: 04/09/2004 15:27:43 h
O QUE SIGNIFICA TRABALHO EM EQUIPE?
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao curral da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o ssenhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. O rato foi até o porco e lhe disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
O porco disse:
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. A vaca lhe disse:
- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo?
- Acho que não!
Então o rato voltou para seu canto, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.
No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher.
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.
Para amenizar a sua febre, nada melhor que uma canja de galinha.
Então o fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.Então para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral.
Então o fazendeiro sacrificou a vaca, para poder alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um> problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que: quando existir uma ratoeira todos corremos risco.
"O problema de um é problema de todos - Quando convivemos em equipe."
Colunista:
Rodrigo Teixeira
Cidade: Rio de Janeiro
Data: 01/04/2004 16:45:14 h
Alguns combatentes do fogo, já perderam as suas vidas ao adentrar em locais onde foram identificados focos de fumaça e fogo, simplesmente pelo fato de ABRIREM A PORTA.
Mas o que acontece do outro lado da porta? O que acontece quando um ambiente fechado, e em chamas, recebe uma quantidade considerável de oxigênio? É o que veremos.
O LOCAL SINISTRADO
Tomemos com exemplo, uma sala de escritório de pequenas dimensões. Esta sala está completamente fechada, pois encerrou-se o expediente naquele local. À noite, ocorre um curto-circuito e as centalhas passam para a cortina, e da cortina para os móveis, e em alguns minutos, toda a sala está em chamas.
Neste espaço de tempo, podemos notar a ocorrência de 3 fenômenos. São eles:
O FLASH OVER
Corresponde ao acúmulo de gases inflamáveis no teto de um local fechado, durante um incêndio.
Estes gases são desprendidos dos materiais em combustão.
O ROOLOVER
Corresponde à verdadeiras "bolas-de-fogo" deslizantes no teto, originadas dos gases inflamáveis acumulados.
Dependendo das dimensões do local sinistrado, a temperatura poderá atingir 600 ºC em poucos minutos.
O RETORNO DAS CHAMAS
Bem; nesta pequena sala, nós temos:
- Calor.
- Material combustível (cortina, móveis, papéis etc)
- Baixa concentração de oxigênio.
O fato de gases inflamáveis terem-se acumulado no teto, foi devida à baixa concentração de oxigênio (3º lado do Triângulo do Fogo)na sala. Se houvesse uma concentração de oxigênio IDEAL, todo o gás desprendido seria consumido, e não ocorreria o Flash Over, nem muito menos, o Roolover.
Com a chegada da equipe de Brigadistas, o primeiro passo será certamente "ABRIR A PORTA". Tal atitude permitirá que O Roolover se volte para o sentido da porta (entrada de Oxigênio) atingindo FATALMENTE a equipe de Combate.
Fortes Abraços

Rodrigo Teixeira
Técnico de Segurança do Trabalho
Instrutor de Brigada de Incêndio
PUC-Rio
Colunista:
Alison Klein
Cidade: Curitiba
Data: 29/12/2003 11:17:33 h
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Como Ser Eficaz nas Ações Prevencionistas de Doenças do Trab |
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Como Ser Eficaz nas Ações Prevencionistas de Doenças do Trabalho
Prevenir é melhor que remediar, este ditado já é conhecido e comprovado a muito tempo, porém muitas empresas na ânsia de prevenir e dar qualidade de vida aos seus colaboradores atropelam alguns critérios importantes e por fim se vêem investindo muito dinheiro e obtendo pífios resultados.
A palavra prevenção, segundo o dicionário Aurélio, significa ato ou efeito de prevenir-se, ou seja, fazer ou ver antes; Pensando desta forma, qualquer intervenção preventiva ou prevencionista é aquela que tenta antever e realizar ações que evitem o que pode acontecer de prejudicial à saúde do colaborador, e é neste ponto que muitas se tornam ineficazes, sim sem o efeito esperado.
E como se faz?
Inicialmente qualquer empresa que queira realmente melhorar a qualidade de vida dos seus colaboradores, deve estar aberta a ouvir sua equipe, dar possibilidade do indivíduo com queixas expor suas súplicas sem o medo de ser perseguido daí por diante, fortalecendo desta forma uma relação de trabalho confiável e saudável; após abrir este importante canal de comunicação a empresa deverá fazer um levantamento criterioso dos problemas que acometem a equipe como um todo, visualizando sua real existência e verificando suas incidências. Uma vez realizado este reconhecimento da saúde geral dos trabalhadores, deve-se levantar os problemas mais comuns e fazer um estudo individualizado para descobrir de que forma estão ou não relacionados às rotinas de trabalho de cada um, sendo importante nesta fase o auxílio de profissionais preparados para esta compreensão.
Para um trabalho de prevenção eficaz, deve ser feito um bom estudo das condições de trabalho considerando fatores que em geral levam a problemas físicos, tais como: Fatores Biomecânicos (equipamento, repetitividade, força empregada nas tarefas, posturas inadequadas, vibração e compressão); Fatores Psicossociais (estresse no ambiente de trabalho, conflitos no relacionamento interpessoal); Fatores de Organização do Trabalho (ritmo acelerado, prêmios por produtividade, horas extras, trabalhos repetitivos ou monótonos e ausência de pausas); Fatores Ambientais (iluminação, ruído, temperatura, equipamentos inadequados e mobiliário sem especificações ergonômicas). A junção negativa de cada um destes fatores resulta numa péssima e desastrosa qualidade de vida do colaborador, levando a empresa a ter problemas sérios de saúde ocupacional.
Uma vez realizado todo este levantamento e analise, deve-se agir, como num jogo de xadrez, primeiro tentando eliminar os fatores de risco e caso isso não tenha sido possível, deve-se proteger os colaboradores dos riscos, muitas vezes adotando uso de EPIs mais adequados, orientações de forma de trabalho e fomentando este indivíduo de recursos de proteção direcionada, e por último, após todas estas ações deve-se investir num mecanismo de defesa e preparo para a função, adaptando todo o posto e o indivíduo.
Em geral deve-se fazer um profundo trabalho para anular os fatores já citados e somente após esta etapa investir em programas de atividades físicas que visam prevenir ou compensar esforços lesivos, pois um programa bem feito e aplicado na hora certa certamente coroa com grande êxito toda a intervenção prevencionista elevando e muito a qualidade de vida dos colaboradores, a produtividade da empresa como também sua imagem perante a comunidade e o mercado, atraindo bons funcionários e negócios.
Concluindo, a empresa que quiser estar com a melhor equipe, com bons índices de produtividade e com investimentos válidos nesta área deverá principiar-se por conhecer-se a si mesma entendendo todas as suas necessidades e por fim direcionar seus esforços seguindo critérios confiáveis e guiados por bons profissionais de saúde envolvidos em todo este processo.
Dr. Alison Alfred Klein
Fisioterapeuta do Trabalho
CREFITO: 8 / 29.723-F
- Fisioterapeuta, graduado pela Universidade Tuiuti do Paraná
- Único Brasileiro da Fisioterapia participante do Programa Intercampus/97, La Coruña - Espanha
- Professor da Universidade do Contestado – UnC
- Professor das FIES
- Professor convidado do curso de Odontologia da UFPR
- Especialista em Fisioterapia no Trabalho – CBES
- Chefe do Serviço de Fisioterapia ambulatorial pediátrica do HUEC.
Colunista:
Rodrigo Teixeira
Cidade: Rio de Janeiro
Data: 28/11/2003 17:20:00 h
Não importa qual fato desencadeou-se em um determinado ambiente.
Seja qual for a informação (ameaça de bomba, incêndio, assalto...), a consequência, na ausência de um treinamento, será uma só: o
PÂNICO.
Aos meus brigadistas eu enfatizo sempre, que sentir medo é bom, pois ninguém é "super-homem", ninguém é idestrutível. O medo faz parte do nosso extinto de auto-defesa, de auto-proteção frente à uma situação de perigo, e nos leva a tomar posturas de preservação de nossa integridade.
O pânico porém, já é o medo no seu mais alto grau, podendo levar o indivíduo a tomar atitudes, que no seu estado normal, não adotaria.
- "Está quente aqui! Os bombeiros não vão chegar a tempo!" E após isto, a vítima das chamas, presa no alto de um edifício e tomada pelo pânico, pode vir a saltar. Trágico mas real. Pior que isto, é quando existe uma equipe não tão bem treinada, muita menos reciclada, cuja incumbência é a do resgate e combate inicial das chamas. Imagine numa situação destas, um brigadista tomado pelo pânico?
Não posso afirmar que o pânico possa ser eliminado em 100%, após o treinamento de funcionários e brigadistas. Certamente ele será minimizado.
Um simulado de abandono de área em situações de emergência, são ótimos exercícios para condicionar os trabalhadores e brigadistas dos procedimentos a serem seguidos, além de ajudar a corrigir as falhas encontradas.
O braço direito da brigada de incêndio, na minha opnião, é a brigada de abandono. A mesma é composta pelos funcionários dos andares, previamente treinados, e cientes das medidas a serem adotadas quando informados da necessidade de um abandono local, como por exemplo: A contagem dos funcionários de seu andar, e após verificar que não há nenhum ausente, proceder a saída pelas escadas.
É......não há como fugir de um bom treinamento. Ainda bem.
Fortes abraços

Rodrigo Teixeira
Técnico de Segurança do Trabalho
Instrutor de Brigada de Incêndio
PUC-Rio
Colunista:
Cosmo Palasio
Cidade: Guaratinguetá - SP
Data: 25/11/2003 22:28:11 h
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REVENDO ALGUNS CONCEITOS II |
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REVENDO ALGUNS CONCEITOS
Muito do que se fez e faz em termos de prevenção de acidentes tem sua utilidade e lugar. No entanto – como toda atividade humana – também nossa área carece de evolução para fazer frente as novas necessidades e mesmo até para se superar na questão conceitual. Nenhuma área técnica pode ser estática.
Entre ano sai ano o número de vitimas de acidentes do trabalho em todo mundo continua sendo assustador. Obviamente sabemos que se não fossem as intervenções técnicas o quadro seria muito pior – mas quando falamos de vida – nenhum numero deve ser satisfatório. Pior ainda do que os acidentes são as conseqüências sociais advindas dos mesmos.
Com certeza o mundo ideal seria o mundo seguro: ele não existe ! Ao mesmo tempo sabemos que boa parte das atividades realizadas implicam em algum grau em risco e perigo. Nossa atividade profissional deve ser pautada entre os dois extremos – buscando o máximo de segurança possível dentro da realidade conhecida. Este ponto parece ser obvio – mas por toda parte encontramos verdadeiros exageros – infelizmente alguns deles causadores de acidentes – mesmo projetados para resultado contrário.
Um dos primeiros conceitos que precisamos rever diz respeito ao tal de risco zero e vemos por muitos lugares verdadeiras condutas febris na busca de um objetivo pelo menos utópico – e que muitas vezes faz com que a prevenção seja vista como um objetivo inatingível e por isso mesmo – folclórico e fadado ao descrédito. Todo ambiente com a participação humana deve levar em conta a mobilidade de situações – e assim – a prevenção será proporcionalmente maior o quanto soubermos cuidar para que as pessoas evoluam em conceito de eliminação e controle e não mais do que isso.
Devemos ter em vista dois conceitos – que podem soar mal aos ouvidos daqueles que pouco ou mal conhecem a prática prevencionista – mas que são realistas o bastante para sustentar um bom programa de prevenção. O primeiro deles diz respeito a taxa inerente – ou seja a aceitação de que determinada atividade ao longo de determinado tempo irá gerar algumas situações diferentes das planejadas: é assim com qualidade, é assim com produtividade e não poderia ser diferente com segurança – até por estar em meio as demais situações. Obviamente que não há taxa inerente para acidentes fatais ou mais graves – isso seria admitir o inadmissível – no entanto no que diz respeito a freqüência – um bom estudo e benchmarking poderão ser úteis no planejamento dos números de sua empresa. Interessante lembrar que as comparações devem ser feitas conhecendo os critérios das empresas – visto que como todos sabemos há estatísticas e Estatísticas por toda parte. Trabalhando com taxa inerente torna-se possível colocar o foco e atuação sobre coisas que de possam ser danosas aos trabalhadores – fugindo um pouco do sensacionalismo de ter que atacar as vezes situações naturais deixando de lado a consistência do programa prevencionista como um todo – na prática isso quer dizer – desviar toda atenção de um corpo técnico para atender um objetivo inatingível de uma gerencia.
O segundo conceito diz respeito ao risco aceitável. E ai entra forte a questão utópica do risco zero e mais ainda uma série de conceitos mais profundos da prevenção. Primeiro é preciso saber o que é um risco aceitável é isso não é trabalho muito fácil quando o programa de prevenção da empresa é imaturo e também sua equipe técnica. O termo aceitável é bastante amplo e beira o rol dos conceitos – mas há por toda parte ferramentas e meios que podem ser decisivos na definição. Bem sei que este tema pode encontrar resistência e reações por parte de alguns profissionais – mas com certeza é de bom grado que entendam que se nem todos riscos podem ser eliminados – e a prática mostra isso – se não trabalharmos com os conceitos adequados desenharemos uma prevenção irreal e daí em diante todos sabemos quais são os resultados.
O fato é que precisamos calcar a prevenção em mais bases e assim que os controles estejam distribuídos não apenas em uma ou duas variáveis – mas com certeza for possível. Se há risco no processo então cuidemos de ter trabalhadores mais hábeis, mais preparados, mais descansados: Façamos gestão para que a matéria prima seja melhorada: cuidemos para que o ambiente seja mais adequado e favorável. Tudo isso dá trabalho – mas não há prevenção efetiva fora disso. No mais cuidemos de mudar alguns conceitos – chega de ver em empresas placas dizendo que SEGURANÇA É IMPORTANTE – e comecemos a trabalhar para o entendimento de que segurança é necessária e essencial. Deixemos também de lado o entendimento de que segurança é algo a mais – isso é péssimo – segurança é parte inerente é pronto !!!!
Um outro item a ser observado – e bem observado – diz respeito a sensação de impossibilidade que metas como risco zero podem causar na alta direção. Verdade seja dita que se fossemos trabalhar na busca de risco zero a grande maioria dos negócios como conhecemos e concebemos hoje seriam inviabilizados. Parte desta cultura assombra e afugenta a alta direção dos conceitos prevencionistas – afinal de contas embora exista por ai a máxima de que prevenção é lucro – raramente consegue-se provar tal resultado com programas equivocados e parciais como tanto vemos. E comum ouvirmos o lamento e reclamos de empresários que alegam ter investido pequenas fortunas e as condições não mudaram – deveriam sim investir em nova equipe técnica especializada – pois imaginar que a simples comprar de equipamentos e meios pode alterar o quadro prevencionista é pelo menos engraçado: produção – e acidente – não se faz apenas com uma parte do processo – e assim – programa de prevenção que só olha um aspecto é pelo menos ruim na sua concepção. E a coisa não para ai: há também a ótica dos empregados – alias essencial para um bom programa prevencionista. Para muitos empregados – prevenção rima com proibição – até porque o “é proibido” encontra-se em nove de dez linhas escritas em procedimentos e instruções. Esquecem que entre o papel e o homem há o direito a compreensão – a mesma alias que se espera que ele tenha em forma de discernimento quando diante de uma situação de risco: Ora, se apenas proibimos e não dizemos ou convencemos do porque – falhamos entre a eficiência e eficácia. O grande problema dos programas de segurança talvez resida em algo básico nas relações humanas: o desrespeito ao usuário final. Situações como esta cooperaram e cooperam todos dias para que os trabalhadores tenham aversão a prevenção de acidentes.
Enfim, há sempre possibilidade para reavaliar o que fazemos – antes que alguém de fora faça por nós.
Cosmo Palasio de Moraes Jr
cpalasio@uol.com.br
Colunista:
Cosmo Palasio
Cidade: Guaratinguetá - SP
Data: 25/11/2003 20:55:56 h
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CIPEIRO: ADVERSÁRIO OU PARCEIRO NA PREVENÇÃO ? |
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Neste momento em que vemos chegar a Presidência da República um operário muito mais do que mantermos os olhos presos a análise da questão política pura e simplesmente devemos aproveitar a oportunidade para reveremos a questão das relações no ambiente de trabalho. Na minha forma de ver um grande equivoco ainda reinante em nosso país diz respeito a forma com que é visto o trabalhador, em especial no que diz respeito a sua postura e responsabilidade no tocante a prevenção de acidentes. Em muitas empresas onde a cultura e as relações são mantidas a partir de óticas bastante arcaicas – a alta direção e seus prepostos parecem que ainda enxergam o operário como uma figura a ser tutelada em muitos aspectos e ao mesmo tempo – rigorosamente cobrada e exigida em outros. Interessante notar que por exemplo que daquilo que diz respeito a qualidade e produtividade – por exemplo – espera-se do trabalhador uma postura ativa e um certo grau de decisão, no entanto, já no que se refere a sal segurança e saúde a expectativa é bastante diferente. Sinceramente não sei como avaliar o quanto esta “dualidade” tem alguma forma de validade, mas a experiência prática mostra que não agrega qualquer tipo de valor.
Nesta mesma linha de raciocínio seguem as relações entre as empresas e as representações dos empregados. Muitas vezes dissimulada em discursos de parceria estão ocultas relações totalmente inconsistentes e via de regra desprovidas de qualquer planejamento mais objetivo que tenha alguma tendência evolutiva. Sutilmente nada mais ocorre do que um grande conflito – que nem mesmo pode ser chamado de interesses – visto que a cada dia que passa fica mais comprovado o quanto os acidentes e doenças ocupacionais são danosos aos objetivos do negocio em si. Certamente, muitos dos dirigentes de empresas ainda não atentaram para tal situação, visto que o assunto via de regra é tratado por especialistas que se encontram graus abaixo da alta direção: é importante que este assunto mereça e receba uma análise bastante detalhada e que assim com certeza seja tirado do meio das velhas tratativas feitas por profissionais que esqueceram de evoluir e enxergam as representações dos empregados como nichos de oposição aos interesses do negócio. É preciso que as empresas passem a ter interlocutores, verdadeiros homens de Recursos Humanos no lugar de velhos domadores de departamentos de pessoal.
O QUE MUITA GENTE AINDA NÃO SE DEU CONTA
Mesmo que o mundo mude a cada segundo para algumas pessoas as mudanças e necessidades demoram um pouco mais a chegar. Interessante dizer que isso não ocorre apenas por falta de informação ou falta de condições de interpretar uma informação ou tendência. Há muita gente no mercado com formação bastante interessante, mas que infelizmente entende muito de toda teoria mas jamais conseguiu ter humildade bastante para aprender algo sobre prática. Por toda parte e por onde andamos temos notado que há pouca diferença entre o velho profissional desatualizado e algumas brilhantes mentes sem conhecimento prático das relações capital x trabalho – na minha forma de ver – ambos tem quase o mesmo valor e utilidade.
É importante saber que as informações sobre globalização e concorrência mais do que servirem para gerar noticias aterrorizadoras em quadros de avisos de empresas deveriam também levar ao questionamento real sobre redução de custos e por conseqüência aumento de competitividade. Todos os dias em todas as partes Diretores de companhias tem chamado seus diretos para que em conjunto possam discutir formas e ações para reduzir custos, obviamente muito destas exigências acabam recaindo sobre as chamadas áreas improdutivas ou indiretas – onde geralmente estão locados os SESMT. Poucas noticias se tem de propostas de redução de riscos e acidentes como forma de otimizar o negocio – ficando o assunto restrito a redução de papeis, cópias, cortes na aquisição de equipamentos, etc. Não sei se isso ocorre por falta de coragem ou conhecimento quanto as grandes possibilidades de uma prevenção bem desenhada e trabalhada para contribuir na redução dos custos – como também não sei – quantas folhas de sulfite são necessárias economizar para fazer frente a um único acidente do trabalho.
Ao mesmo tempo parece-me estranho demais que ninguém ou quase ninguém tenha de fato ainda atentado para as razões reais que levam as matrizes de suas empresas – estabelecidas em paises do primeiro mundo – a dedicarem séria atenção a questão prevencionista. Certamente não seremos inocentes o bastante para estarmos apegados apenas as questões sócio-humanitárias.
Crucial mesmo no entanto talvez seja a visão paternalista-tutelar surgida da necessidade de tentar ocultar problemas e desvios no cumprimento da lei – traduzindo – a postura que a maioria das empresas adotou de tratar o assunto e segurança dos seus empregados sem dar a estes voz ativa no processo. Com certeza muito desta postura veio da necessidade de manter os trabalhadores distantes do conhecimento da lei - o que hoje – em pleno século XII com um Sindicato em cada esquina e o direito trabalhista amplamente divulgado não mais se justifica. É preciso que se entenda que o direito de saber/dever de informar muito mais do que trazer problemas – como pensam ainda alguns – leva quando bem conduzido a transferência de parte da responsabilidade ao trabalhador. Não bastasse isso, a mesma postura contribui para o desenvolvimento de consciência coletiva sobre o assunto – o que sem duvida alguma talvez seja um dos grandes pilares para a melhoria da prevenção dentro das grandes empresas. Podem alguns pensar que tais melhorias são meras conquistas sindicais – o que acha também um equivoco apesar de reconhecer que a postura sindical foi um catalisador para tanto. No entanto, o que diminui os riscos e melhora o ambiente é a consciencia coletiva – pois são os trabalhadores que estão ao pé das máquinas.
Por fim, com certeza deve ficar claro de que não há evolução real nas empresas que tentam desenvolver sua mão de obra fragmentando o ser humano em partes.
O PAPEL DA CIPA
Pobre do administrador que não sabe lidar e otimizar suas lideranças. Transforma aliados em inimigos.
Penso que poucos profissionais até hoje tiveram a paciência ou esperteza de analisar o papel e potencial das CIPA dentro das empresas. Talvez se tivessem descido dos altares dos antigos paradigmas.....Interessante que muitos destes profissionais dedicam parte de suas vidas a tentativa de estabelecer elos de comunicação e relação com o chão de fábrica – mas erram de novo – quando o tentam desprezando as lideranças naturais. A figura do cipeiro é bastante interessante, primeiro por ser fruto de uma processo eleitoral que de alguma forma gera compromisso dos empregados com seu eleito. Segundo, porque via de regra na CIPA encontramos pessoas com algum grau de compromisso com questões bastante valiosas aos operários. Muitos dizem que a CIPA nas grandes empresas nada mais é do que um trampolim para a vida sindical – e em parte tem razão, mas parecem – por outra parte – querer desconhecer que a grande maioria dos cipeiros jamais deixam o universo da prevenção.
Interessante ouvir em mesas de reunião que fazer prevenção geralmente custa muito caro – e saber que ao mesmo tempo naquela empresa onde estamos ouvindo este mesmo comentário existem algumas pessoas eleitas e cujos salários são pagos pela mesma empresa que houvesse por parte da direção uma definição clara e moderna poderiam fazer prevenção. Estranho ouvir de algumas pessoas a afirmação de que 90 % dos acidentes ocorrem pelos famigerados atos inseguros e que estas mesmas pessoas não tenham consciência que um grande remédio para tal diagnostico seria a atuação do trabalhador conscientizando o trabalhador. Será que elas acreditam no que dizem ou ao menos sabem algo de fato sobre o assunto ?
Piores no entanto do que os administradores de pessoal sem visão sobre o sobre o assunto – são nossos colegas de SESMT que enxergam na CIPA uma oposição, um estorvo ou algo assim. Interessante que muitos destes colegas saem repetindo pelo mundo afora que o problema de segurança e saúde é dos trabalhadores e que estes deveriam ser responsáveis – mas ao mesmo tempo insistem em desconhecer a legitimidade destes como atores no debate sobre o assunto. De fato o problema de segurança e saúde no trabalho é do trabalhador – o papel do SESMT é ser consultor. No entanto as relações não amadurecem quando o SESMT tenta fazer da CIPA um “setor auxiliar” e vê no Cipeiro – um estafeta.
Minha experiência profissional permite-me dizer com certeza que quando a empresa tem uma política clara e decente em relação a CIPA esta corresponde de forma bastante interessante e os conflitos – que obviamente não deixam de existir – passam a integrar um grande processo evolutivo – seja de entendimento sobre os problemas, seja de soluções práticas quase sempre contando com o apoio e mesmo idéias oriundos do chão de fábrica. Quando deixamos de discursar ou jogar em quadros de propaganda a noção de que a empresa pertence ao empregado, que o mais importante deste local é a sua gente – é transformamos isso em prática de administração com certeza colhemos resultados bastante interessantes. E interessantemente não estamos fazendo mais do que legitimar uma situação. Talvez doa a alguns ter que deixar de lado a arte de ludibriar para ter de fato que negociar – mas é importante que entendam que quando falamos de segurança e saúde mais cedo – na prevenção – ou mais tarde – na correção – teremos que fazer isso. Poucos notam que a cada dia o que não se paga para prevenir tem sido gasto para corrigir – e as vezes sem que seja possível a correção plena.
Achar que o trabalhador ou suas representações não tem condições de administrar seus interesses talvez seja uma das maiores tolices que se possa ter com conceito. Bem provável que isso ocorra dentro de administrações distorcidas – mas se a administração é ruim com certeza segurança e saúde não é o único problema na relação. A bem da sobrevivência do profissional e mesmo em outra escala – do próprio negocio – é bom entender que a dissociação cidadão-trabalhador que durante muitos anos reinou a cada dia que passa tem sua distancia diminuída. Vale entender que muitas das exigências que o mercado criou – algumas delas de fato sem qualquer justificativa prática como por exemplo um grau maior de escolaridade para operar máquinas sem qualquer complexidade, trouxeram juntas mais conhecimento, mais discernimento e politização. Não olhar este quadro holisticamente e andar na contramão das relações.
Administrar a relação com a CIPA jamais foi tolher ou tomar conta da CIPA – este modelo doentio só leva a problemas. Dentro do tempo de tantos comitês e similares talvez seja interessante repensar o que pode ser proveitoso em relação ao comitê da segurança e saúde – talvez assim deixando de ver a CIPA como apenas algo obrigatório por lei e assumindo-a como parte do negócio encontre-se o caminho das pedras.
Propiciar a CIPA o pior dos treinamentos é deixar um barco solto numa noite escura de tempestade. Penso que talvez seja melhor ter um barco com rumo, com conhecimento e direção, pois é claro que a maior parte dos conflitos atuais e problemas surgem da falta de informação.
Ignorar a CIPA é fazer com que esta ganhe força diante do trabalhadores – e nem sempre o tipo de força que tenha alguma ganho em termos de prevenção. A grande maioria dos cipeiros são lideres natos e assim tudo farão para ocupar e chegar ao lugar de respeito que lhes é negado.
Por fim, conclue-se que há necessidade de uma avaliação bastante imparcial quanto a forma atual de que nos relacionamos com a CIPA. Após esta avaliação buscar um planejamento realista e adequado e daí em diante colher o bons frutos da famosa parceria – real – pois só está conduz a alguma tipo de resultado duradouro.
Cosmo Palasio de Moraes Jr.
cpalasio@uol.com.br
Colunista:
Cosmo Palasio
Cidade: Guaratinguetá - SP
Data: 25/11/2003 20:53:05 h
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Uma coisa muito ruim da prevenção de acidentes brasileira é a posição em que
foram colocados os equipamentos de proteção individual. É preciso que fique
claro que o EPI tem e terá sempre com certeza um lugar de grande
importância dentro de nossa área e que talvez este espaço adequado e correto
tenha sido deixado de lado devido ao uso indiscriminado e sem maiores
critérios. Esta questão precisa ser revista e o papel do EPI resgatado
dentro do contexto prevencionista.
Talvez por conta desta disseminação sem critérios tenha surgido o
entendimento entre a maioria dos trabalhadores de que prevenção de acidentes
é EPI. É interessante notar que quando conversamos com trabalhadores - não
todos - mas com certeza a maioria e falamos que somos da área de prevenção
de acidentes eles logo dizem "CIPA", "SIPAT" ou mencionam algum tipo de EPI.
Lamentável que depois de tantos anos de atuação nossa área chegue até nossos
principais clientes vista desta forma. Isso demonstra o quanto nossa
comunicação é falha - mesmo para aqueles com os quais convivemos boa parte
de nossos dias e vidas. Por extensão fica fácil entender o quanto a
sociedade de uma forma geral não sabe o que fazemos e por consequência - não
pode mesmo valorizar nosso trabalho. Olhar a prevenção apenas da ótica do
EPI e da SIPAT é quase a mesma coisa do que olhar a Medicina apenas através
da injeções e cirurgias.
Mesmo entre nós é preciso que surja uma cultura de trabalhar conjuntamente
as Medidas de Proteção. Na verdade este conceito nada tem de novo, pois ao
longo dos anos foi simplesmente o que fizemos e fazemos até hoje. Falta -
como sempre faltou a nossa área - a capacidade e o interesse para torna-la
mais organizada e visivel - as ações para tornar as práticas e conhecimentos
prevencionistas um só conjunto, em uma só linguagem.
O que são Medidas de Proteção ? O conjunto de ações técnicas e
administrativas, programas e equipamentos coletivos e/ou individuais
planejados, elaborados e implementados com o objetivo de proteção do homem.
Isso quer dizer em suma - a reunião de tudo que fazemos dentro de uma
empresa para o desenvolvimento das atividades dentro dos padrões de
segurança, vejamos abaixo um desenho que apresenta alguma coisa sobre isso:
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
SISTÊMICAS COLETIVAS INDIVIDUAIS
Autorização para Execução de Serviços Ventilação / Exaustão
Exames Médicos Ocupacionais
Avaliação e Controle Ambiental Cabines Acústicas
Treinamentos Qualificação para a Função
Planos de Emergência Barreiras de Proteção Equipamentos
de Proteção Individual
Tenho convicção de que na grande maioria das empresas poucas pessoas - e
entre estas - muitas que ocupam cargos de supervisão - não notam que o
gerenciamento da prevenção vai muito mais além do que as práticas cotidianas
e evidentes que todos conhecem. Isso ocorre wm boa parte dos casos pela mera
ignorância - mesmo naqueles locais onde tudo se faz para simplesmente
cumprir a lei - e gasta-se dinheiro sem perceber que os dispositivos da lei
quando cumpridos e entendidos podem perfeitamente auxiliar na administração
do negócio.
Há tempos atrás visitando uma pequena empresa comecei a perguntar a
liderança o que era o PCMSO. Perguntei isso a pelo menso 10 pessoas e ouvi
10 respostas iguais: ninguém sabia. Brincando perguntava depois a todas
aquelas pessoas se elas tinham carro - e a grande maioria respondeu que sim,
perguntei então se tinham por hábito quando compravam um carro usado leva-lo
ao mecânico para saber qual era o real estado do mesmo; perguntei ainda se
faziam manutenção preventiva. Obviamente a grande maioria das respostas foi
mais do que positiva. Expliquei a eles então - fazendo na sequencia do
assunto - que faziam aquilo para evitar maiores problemas e consequentes
despesas pelo agravamento de possiveis problemas existentes nos carros -
todos concordaram comigo. Guardada a devida proporção e respeito a vida e
dignidade humana - fiz um paralelo - explicando a eles que os exames médicos
ocupacionais são para os empregados que eles comandam tal como as revisões
são para os carros. Expliquei que o PCMSO é o Programa de Controle Médico de
Saúde Ocupacional, cujo objetivo é a promoção e a preservação da saúde dos
empregados. Foi muito interessante ver o quanto eles não haviam notado até
então que o PCSMO pode ser útil demais para a administração de pessoas -
ainda mais em tempos de mão de obra reduzida.
Vejam - através da experiência realatada acima - o quanto aquilo que fazemos
chega até as pessoas não como algo útil - mas como mera formalidade para a
qual não conseguem associar utilidade as dificuldades do seu dia a dia.
Estamos falando de uma das partes mais importantes das medidas de proteção.
Importante lembrar - já que começamos este texto falando sobre o EPI - que a
prática de proteger pelo meio individual ganha validade quando o
monitoramento dos resultados é feito nas verificações feitas na saúde do
homem. Com certeza os programas de inspeção de uso, a sinalização e outros
meios - são de imensa validade - mas nada poderá demosntrar melhor a
eficiência do uso do EPI do que o resultado dos exames médicos especificos e
feitos na forma adequada.
QUALIFICAÇÃO, HABILITAÇÃO E CAPACITAÇÃO COMO FERRAMENTAS PREVENCIONISTAS.
O conhecimento é um velho conhecido. Todos sabemos que para fazer algumas
tarefas e trabalhos é preciso ter alguns conhecimentos especificos. Também
para a prevenção de acidentes o conhecimento é algo imprescindivel para
fazer MELHOR e na forma MAIS SEGURA. Muitas são as empresas que investem uma
boa soma em dinheiro para manter programas de treinamento e qualificação.
Isso com certeza coopera para melhorias no tocante a prevenção de acidentes
- e portanto também faz parte do conjunto das Medidas de Proteção. Em
algumas empresas em especial há treinamentos e exigências especificas para
certas funções - consideradas de alta risco. Por fim, mesmo não havendo
qualquer tipo de treinamento dentro da empresa - com certeza sendo uma
empresa mais estruturada - existem os critérios de seleção de pessoal. Com
certeza quando define-se o perfil da vaga a ser aberta - nele embutem-se
requisitos que estão relacionados a prevenção. Um exemplo disso é quando
contratamos um eletrecista e exigimos que ele tenha formação, experiência,
etc.
Com certeza os profissionais prevenção de acidentes fazem muito mais do que
conseguem enxergar, sistematizar e divulgar. Infelizmente ainda não
conseguimos mostrar esta realidade e seus beneficios - e muitas empresas
ainda enxergam no PPRA, no PCMSO e outros programas prevencionistas apenas
meras formalidades, quando na verdade são instrumentos preciosos para o
gerenciamento do negócio.
Cosmo Palasio de Moraes Jr.
Colunista:
Cosmo Palasio
Cidade: Guaratinguetá - SP
Data: 25/11/2003 20:44:12 h
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SST – UMA ÁREA NÃO APENAS UM ESPAÇO |
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A prevenção brasileira ainda caminha por dias muito difíceis. Muitos são os problemas estruturais de nossa área de trabalho e poucos são os que de fato atuam ou trabalham da direção de corrigi-los. Falta ao profissional prevencionista brasileira visão estratégica – tanto do ponto de vista social como do profissional.
Poucos percebem que na verdade que a grande maioria dos problemas que envolvem a área fazem parte de uma única cadeia e que tentar discutir isoladamente as partes é chover no molhado, ver os anos passando e as cenas e fatos se repetindo. Com um pouco de atenção e análise talvez seja possível entender melhor esta cadeia e atuar de forma organizada e consistente sobre as verdadeiras causas. Discutir situações pontuais – sem olhar o todo – é perder mais tempo.
A situação da prevenção me lembra de certa forma o comercial de um famoso biscoito – onde a dualidade de conceitos no deixa eternamente em duvida. A maioria dos debates que assisto – me lembram cães correndo atrás do próprio rabo – onde quase não se percebe que ao atingir o objetivo irá lesionar-se. Se desejamos algo do futuro é bom então que repensemos o mais breve possível a nossa forma de olhar a prevenção pois sem isso não iremos ao futuro.
Uma boa análise a ser feita é tentar entender onde as questões de SST deveriam estar inseridas no contexto social. Muitos de nós que atuamos nesta área não percebemos mais que estamos falando não apenas de uma planejamento a mais no contexto empresarial – mas falamos de vida e dignidade e esta natureza mista de nossa área – que vive no limiar das coisas do dinheiro e das coisas da vida – jamais poderia ser perdida de vista. Então há de se entender que boa parte dos problemas passa por esta forma de visão – digamos assim – pelo menos equivocada da natureza e finalidade de SST. Interessante ressaltar o quanto isso tem haver com a imaturidade geral da sociedade brasileira e assim analisarmos o quanto entender o contexto geral é uma necessidade dos profissional de qualquer área – especialmente da nossa. Fica claro que em muitos casos a questão da ausência de respeito a SST – nada mais é do que mais um dos reflexos do total despreparo social que temos para respeitar a vida no contexto geral da sociedade. Na minha forma de ver não uma questão única e dirigida as questões de violência no trabalho – mas um problema muito maior no qual estamos inseridos. Em um país onde acaba sendo normal matar pelo mal uso de veículos. Matar pela certeza impunidade – acaba sendo implícito que matar no trabalho também é licito.
Então muito antes de simplesmente aplicarmos técnicas ou importarmos modelos – há necessidade de trabalharmos duro na revisão de nossos próprios entendimentos e mais ainda na compreensão do grau de maturidade social dos atores envolvidos no processo de definição e implementação de políticas de SST. Se não fizemos isso – o vácuo entre o comportamental e o entendimento e as práticas – será sempre fator determinante para que as coisas não funcionem. Como fazer isso – digamos –e tarefa para especialistas em equipes multidisciplinares – questão que estão muito além da simplicidade com que ora encaramos os fatos e da omissão das autoridades que precisam atentar para a gravidade da situação e através dos meios que já definiu – Comitês – possibilitar uma revisão mais ampla dos conceitos. De tudo – apenas a certeza de que não vai ser com a visão de apenas um ou dois lados que encontraremos um caminho: saúde não é negócio, saúde não é política e menos ainda moeda de troca.
Um outro ponto de fundamental relevância diz respeito ao posicionamento e espaço da áreas de SST dentro das empresas. Isso merece análise rigorosamente cuidadosa – até porque em algumas empresas chega a ser contraria as finalidades e preceitos dos famosos Sistemas de Gestão. Interessante que no Sistema da Qualidade é clara e obvia a necessidade de se ter uma figura “forte” para implantação e manutenção do Sistema – mas os chamados Sistemas de SST tem sido diferentes. Isso nos leva a crer – não generalizando – que muda-se apenas a forma de tramitar papeis – mas forma de acontecer segue sendo a mesma. De forma geral – as estruturas de SST estão dentro das empresas ancoradas em áreas onde pouco ou nada podem decidir e disputando verbas dentro de orçamentos voltados a questões pelo menos menores do que o direito a ida e saúde. Muito interessante analisarmos isso – porque todos os dias ouvimos histórias de colegas abismados quando sua gerencia decidiu que era mais importante trocar o carpete da sala do diretor do que instalar ventilação em áreas produtivas. Obvio, que as empresas tem direito e autonomia para decidirem como gastam seu dinheiro – mais evidente que as empresas tem o DEVER – e este vem antes do direito – de preservar a saúde dos cidadãos que emprega como mão de obra. Então aqui confundem-se o licito empresarial com a obrigação e certamente todos sabem a ordem dos fatores. Situações assim são mais do que comuns – sem que se faça qualquer averiguação mais profunda. Tornou-se um hábito – até porque adoecer e matar trabalhadores é algo que não gera muitos problemas. Interessante num pais que se cria tantas leis – a cada minuto por cada coisa – que ninguém tenha ainda atentado para a necessidade de definir o quanto uma empresa deve destinar pelo menos a questões de SST. Assim vemos por ai empresas imensas com orçamentos ridículos para nossa área – quando o tem. Ora é conhecido e possivelmente estimável estudar o quanto é necessário para fazer uma prevenção mais real. Em outras oportunidades já defendi e continuo defendendo que nosso governo deveria – com critérios bem definidos e transparentes – determinar que as despesas que SST sejam por alguns anos dedutíveis no Imposto de Renda – visto que trata-se de assunto de interesse geral.
Tudo que expomos acima carece no entanto de agentes sociais que exponham a realidade, apresentem os anseios e trabalhe junto a sociedade para que se tornem realidade. Nisso – somos omissos – pois entendemos prevenção de forma diminuta e não conseguimos entender que os esforços isolados pouco contribuem para que a realidade mude. Agimos assim por não ter visão ampla da situação – por não entender a profundidade, extensão e gravidade do assunto. O problema da prevenção não vai ser resolvido do debate entre os profissionais do SESMT: nossa situação não vai mudar com mais este ou aquele papel – o problema é maior e mais complexo.
Espero que os profissionais que hoje chegam ao mercado em conjunto com o que ai estão e tem visão lúcida e ampla consigam atuar de forma mais ampla e em direção as estruturas equivocadas. Assim teremos futuro – e muitos trabalhadores também.
Cosmo Palasio de Moraes Jr.
cpalasio@uol.com.br
Colunista:
Carlos Alberto Marangon
Cidade: Curitiba
Data: 16/11/2003 13:46:17 h
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A Galáxia Virtual de Gutenberg |
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A Internet, especialmente através dos sites, tem se firmado como um novo canal de divulgação de conhecimento de forma mais barata e prática. Embora a exclusão digital ainda seja grande, as novas tecnologias vêm de certa forma diminuí-la. A tendência da Internet é de se popularizar, não por causa do aumento do poder aquisitivo de quem a acessa, mas sim devido ao barateamento da tecnologia.
Com o advento da Internet também surgem as comunidades virtuais, aliadas à fusão das mídias.
Hoje a Internet propaga som, vídeo, imagem e texto e tem como característica especial o poder da imagem aliada ao texto e a possibilidade de o visitante interagir com sua interface de conteúdo – o site. Outra diferença fundamental entre as outras mídias e a Internet é que a linguagem da Internet é pontual. Na Internet muitos autores produzem para outros tantos leitores lerem, ao contrário do rádio da TV e do jornal onde poucos produzem para muitos consumirem. A grande rede tem ainda o diferencial de que o conteúdo não passa de forma linear como no radio e na TV, mas está à espera do visitante, nos sites.
O site em estudo faz parte desta nova era no mundo das comunicações. Durante os dois anos iniciais de sua presença na Internet, este site vem atender o público da área de Segurança do Trabalho. Este público busca material de informação e para pesquisa, quer para adquirir conhecimento ou para solucionar um problema imediato. Público que há pouco mais de uma década só poderia recorrer a livros e revistas como fonte de consulta, hoje tem a Internet como uma poderosa ferramenta a seu favor.
Estatísticas do site em estudo mostraram que este tem mais acesso no meio da semana e que estes acessos diminuem bastante sábado e domingo, o que leva a crer que seus visitantes acessam o site desde seus locais de trabalho, em busca de conhecimento. O site tem um público em particular, pessoas de uma determinada área de atuação. Cada visitante tem um objetivo ao acessar o site e vê o site de sua maneira. Interage com o site, forçando o site a se adaptar na mesma medida que se adapta.
Desta forma, os sites se tornam quase que os substitutos dos livros e da midia tradicional. Os produtores de conteúdo para a Internet também tornam conhecidas suas idéias através dos sites de forma mais barata e eficiente que se estes conhecimentos fosse publicados em outras mídias, fator quase impossível para a grande maioria da população.
A fusão das mídias e sua veiculação pela Internet também permite ao produtor de conhecimento divulgar suas idéias e conhecimentos através de teleconferências e mensagens faladas.
Os sites tendem hoje a tomar o lugar dos livros e, pelo visto, isso não tem mais volta. As mudanças de comportamento e as facilidades trazidas pela Internet são praticamente irreversíveis. Hoje já é possível a um simples estudante ou profissional em início de carreira publicar e difundir suas idéias na grande rede, o que não seria possível em outra mídia, quer ela seja visual, impressa ou falada. A Internet abriu um espaço onde os produtores de conhecimento podem difundir suas idéias e ideais a baixo custo e de forma eficiente.
No mundo de hoje a Internet tende a crescer muito e se tornar cada vez mais popular. Hoje a Interent ainda é restrita a grande maioria do povo, mas tudo indica que deve se tornar cada vez mais popular com o decorrer do tempo. Assim cada vez mais as pessoas terão acesso a Internet para divulgar seus ideais e conhecimentos. A Galáxia Virtual de Gutenberg veio para ficar.
(Este texto é a conclusão da Monografia O PAPEL DOS SITES, apresentada pelo autor(Carlos Marangon) em sua especialização em Comunicação Social pelo SEPAC/USF, 2003)
Abracos a todos!
Carlos Marangon